Google+ Badge

sábado, 11 de junho de 2011

Felicidade Interna Bruta | Portal HSM

Felicidade Interna Bruta


Alexandra Delfino de Sousa
Cerca de 1.000 pessoas compareceram à I Conferência Nacional do FIB, realizada pelo Instituto Visão no SESC Pinheiros, em São Paulo, no dia 29 de outubro. Aos olhos de alguns, o tema parecia um tanto insólito: uma medida de felicidade nacional vinda de um país longínquo. O que teria o Butão a ensinar ao mundo? Muito. Nesses tempos em que a crise mundial é só mais um acontecimento a revelar o desequilíbrio de nossa sociedade, a receita do Butão é, no mínimo, uma fonte de inspiração – para nações, empresas e indivíduos.
Ao propor o FIB (Felicidade Interna Bruta), um índice de desenvolvimento que não leva em conta somente os aspectos materiais da existência, essa pequena nação asiática alerta: há mais do que dinheiro a se aspirar. Afinal, a ciência chamada Hedônica já provou que, após um determinado patamar de renda, ninguém fica mais feliz com o seu incremento. A idéia do FIB não é nova e eu me lembro bem de um texto que circulou na internet há alguns anos, falando dessa tal felicidade bruta, que eu, na minha ignorância, pensava ser "coisa para budistas". Talvez tivesse mesmo sido necessário um coração desapegado para conceber essa inovação, mas ela não está atrelada a nenhuma religião. Está, sim, ligada ao desenvolvimento de um povo. É uma idéia que o Canadá, a Inglaterra e a Tailândia já aprovaram e estão adaptando às suas realidades.
Uma idéia que a ONU apóia e quer ver difundida, talvez em substituição às suas Metas do Milênio. Uma idéia que poderia ajudar a mudar, para melhor, o rumo das coisas no Brasil. Esta parecia ser justamente a esperança do público do evento, bem como de seus palestrantes – representantes do Butão, do Canadá e do Brasil. A ONU, ao estabelecer o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em 1993, de algum modo sinalizou que o Produto Interno Bruto (PIB) não era adequado para medir o desenvolvimento de um povo.
O PIB mede um progresso que pode perfeitamente esconder retrocessos ou danos que seriam proibitivos, se fossem levados em consideração. Como ressaltou o secretário do verde e do meio ambiente do município de São Paulo, Eduardo Jorge, vender soja para alimentar os porcos da China faz o PIB do Brasil crescer, mas o custo para os ecossistemas, contudo, não se parece nem de longe com desenvolvimento.